quinta-feira, 8 de abril de 2010

Momento num café

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.
 
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.
 
 Bandeira, Manuel. Antologia Poética. 8 ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olímpio, 1976. p. 93

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço do Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo
 
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
 
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
 
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do manate exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
 
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo do bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
 
 - Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
 
 
Bandeira, Manuel. Antologia Poética. 8 ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olímpio, 1976. p. 63-64
 

sábado, 3 de abril de 2010

O fim da lavadora de roupas

Máquina de lavar roupas é coisa do passado. Gasta muito tempo, água e energia elétrica. Ou seja, não é nem um pouco "ecofriendly". Veja aqui o método revolucionário que inventei, passo a passo:

1.Pegue um par de meias sujo. É melhor treinar com uma peça de roupa simples. Depois você pode fazer o mesmo com uma jaqueta
2.Jogue um pouco de sabão em pó dentro da privada. É importante e higiênico puxar a descarga antes
3.Coloque a meia dentro da privada. Mexa um pouco para fazer espuma
4.Puxe a descarga duas vezes. Uma para lavar e outra para enxaguar. Importante: segure a meia firmemente para que ela não entre pelo encanamento
5.Prontinho. Em segundos as meias estão limpinhas
6.Agora é só torcer e pendurar para secar.
 
 

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Madrigal Melancólico

O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que já nela de fragilidade e de incerteza.
 
O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
 
O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento,
Graça que perturba e que satisfaz.
 
O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi,
Não é a irmã que já perdi,
E meu pai.
 
O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti - lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.
 
Manuel Bandeira
11 de julho de 1920
 
Bandeira, Manuel. Antologia Poética. 8 ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olímpio, 1976. p. 48-49

sexta-feira, 26 de março de 2010

As drogas na música

Lendo a coluna desta semana do meu colega aqui do Yahoo! Walter Hupsel, sobre a política de combate às drogas, resolvi falar das referências e das influências que as drogas têm na música. Não são poucas e estão presentes em todos os estilos musicais, muitas vezes servindo como uma terapia para os frequentes problemas de alguns músicos com os seus vícios.

Acho que a mais famosa é a música dos Beatles "Lucy in the Sky with Diamonds", que é uma alusão à sigla LSD (lysergic acid diethylamide – dietilamida do ácido lisérgico), uma das mais potentes substâncias alucinógenas conhecidas. Na época, a droga era uma novidade e foi muito usada pelos grandes nomes da música, principalmente pelos roqueiros. Sem ela, dificilmente o álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", entre outros, seria possível. É claro que ninguém sabia muito dos efeitos devastadores que o LSD causa à saúde e muitas pessoas se perderam na loucura sem volta.

O Black Sabbath lançou em 1972 o álbum "Vol 4", que para muitos fãs é o melhor do grupo. O disco conta com uma música chamada "Snowblind", que é uma "homenagem" à cocaína - não tão explícita quanto a canção "Cocaine" de Eric Clapton, apesar de na própria letra Ozzy cantar a palavra para todos ouvirem. Na década de 70, a cocaína era a droga da vez. Todo mundo usava, desde os donos das grandes gravadoras, produtores de TV e rádio até os músicos e suas equipes. No Studio 54, famosa danceteria disco em Nova York no final da década de 70, o uso do "pó" era livre, até quase que obrigatório. Eram outros tempos e a ignorância sobre os danos causados pela droga ajudaram a destruir várias carreiras (desculpe o trocadilho). O Aerosmith que o diga, sumiu da cena por um bom tempo para se recuperar do vício. A música "Master of Puppets", do Metallica, também é uma referência à escravidão dos viciados em cocaína, sendo controlados pela dependência à droga.

O álcool é um dos assuntos preferidos para muitos músicos e um grande problema para a maioria deles. Ozzy Osbourne, quando saiu do Black Sabbath em 1979, ficou muito deprimido e se afundou no álcool e nas drogas. Foi salvo pela sua futura empresária e esposa Sharon, mas o tema foi explorado no seu primeiro disco solo "Blizard of Ozz". Na faixa "Suicide Solution", o alcoolismo é abordado por Ozzy, como se ele tivesse enfrentando os seus demônios, servindo como uma terapia. A música foi mal interpretada por muitos e um garoto se matou. Ozzy foi acusado de incitar o suicídio por meio da canção, simplesmente por que o garoto tinha o álbum em sua coleção. Depois, o músico acabou inocentado.

Veja a seguir a letra original da música:

Suicide Solution

Wine is fine
But whiskey's quicker
Suicide is slow with liquor
Take a bottle drain your sorrows
THEN IT FLOODS AWAY TOMMORROW!!
Evil thoughts and evil doings
Cold, alone you hang in ruins
Thought you'd escape the reaper
You can't escape the master keeper
'Cause you feel life's unreal and you're living a lie
Such a shame who's to blame and you're wondering why
Then you ask from your cask is there life after birth
What you saw can mean hell on this earth
Hell on this earth!!
Now you live inside a bottle
The reaper's travelling at full throttle
It's catching you but you don't see
The reaper is you and the reaper is me
Breaking laws, knocking doors
But there's no one at home
Made your bed, rest your head
But you lie there and moan
Where to hide, suicide is the only way out
Don't you know what it's really about

A maconha também é um tema que já foi muito usado em várias músicas. "Sweet Leaf", também do Black Sabbath, é uma das músicas mais famosas do grupo, obrigatória em qualquer show da banda. O clássico começa com uma forte tosse, representando as consequências de um grande "pega". Para os rastafáris, a maconha é uma planta sagrada. Na Jamaica, inspirou muitas letras do reggae, que por sua vez revolucionou o mundo da música, não só por suas dinâmicas e estruturas simples, mas pelas suas mensagens religiosas e pacíficas, colocando a erva como um instrumento para a conquista da paz.

Enfim, sendo legais ou ilegais, as drogas são uma grande parte da sociedade, não só no mundo artístico, mas  em todo o lugar. Fazem parte da história do ser humano e suas referências são expressadas de várias maneiras, principalmente pela arte. Causando danos ou não, elas estã aí e até, por muitas muitas vezes, ajudando e melhorando a nossa saúde.

Abraço, play it loud!

Andreas Kisser

Pelo direito de assistir à TV em paz

Por Ale Rocha . 26.03.10 - 16h30

Após tomar estádios de futebol e o trânsito, entre outros espaços de convivência, a TV é a bola da vez para a expressão da violência. Os telespectadores enlouquecem por qualquer motivo. Comentários sobre uma atração são transformados em algo ideológico. Se quem lê o que eu escrevo concorda, sou laureado com elogios. Se o leitor ou a leitora discorda, sou chamado de imbecil para pior.

Boa parte da população está à beira de um ataque histérico. Junte a isso o irritante comportamento politicamente correto e a inabilidade em lidar com o contraditório. Temos uma bomba-relógio.

É deplorável esta atitude de muitos telespectadores. Independe de classe social e econômica. O que deveria ser um entretenimento saudável virou combustível para ameaças e intolerância. O ringue preferido é a internet.

Há pouco mais de duas semanas, Hebe retornou à TV. Enquanto a apresentadora emocionava por sua garra contra o câncer, o humorista, Danilo Gentili, do "CQC", soltou uma piada no Twitter: "Assistam! O SBT está reprisando agora 'O Retorno da Múmia'."

Alguns apenas acharam a piada sem graça e tocaram a vida. Foi o que fiz, aliás. Outros decidiram colocar Danilo Gentili de cabeça para baixo na cruz. Ofensas pessoais e profissionais ao comediante foram publicadas aos montes. Surgiu até mesmo uma campanha para sua defenestração do "CQC".

Nesta semana, após denunciar o desvio de um televisor no quadro "Proteste Já", Danilo Gentili foi elevado à condição de justiceiro e salvador da pátria por muitos que o queriam na cruz dias antes.

 

As alianças mudam dentro do BBB 10

Como se pode observar, não há meio termo. Tudo é divido em forças opostas e incompatíveis.

Outro combustível para a violência é o "BBB 10″. Um elogio ou crítica a qualquer participante pode custar caro. Comentar uma atitude de Dourado ou Dicesar é perigoso. Dependendo da posição, rapidamente a análise será definida como homofóbica, hipócrita ou preconceituosa. Em alguns casos, até mesmo nazista (eu não escapei dessa).

Aqueles que defendem ou agridem não verão a cor do dinheiro em disputa. Sequer terão a oportunidade de conhecer o vencedor. Uma batalha inexpressiva que não leva a lugar algum.

Este comportamento agressivo e maniqueísta nada mais é do que a expressão de neuroses. Todos projetam em um programa de TV a harmonia que não têm em suas vidas. Grande parte da população vive angustiada em relacionamentos opressores, sejam eles profissionais ou pessoais. Predomina a frustração com o cotidiano.

Neste cenário, a internet surge como ferramenta de catarse. Sob o pretenso anonimato ou a falsa segurança de um botão que apaga o que foi escrito, muitos perdem a autocrítica. A sensação de impunidade, tão presente no mundo real, migra para o ambiente virtual. O terreno é fértil para quem prefere destruir a construir ou que, na falta de capacidade para formular argumentos, apela para a desqualificação do interlocutor.

 

Aqui fora, telespectadores levam adiante uma batalha onde não há vencedores

Infelizmente, a presença forte do Estado e os anos de ditadura impedem que diversos brasileiros saibam lidar com a democracia e a liberdade de expressão. Chegamos ao ponto em que muitos acreditam ser necessário autorizar a opinião de outro, sob o risco de uma campanha #ForaFulano.

Assim, o que deveria ser um passatempo prazeroso, acaba se tornando uma dor de cabeça. Nem mesmo assistir à TV em paz é possível atualmente.

 

http://colunistas.yahoo.net/posts/911.html

quinta-feira, 25 de março de 2010

Mais uma canalha - letra

Ah, abram-me outra realidade [...]
Quero encontrar as fadas na rua!
Quero desimaginar-me desse mundo feito com garras,
Desta civilização feita com pregos.
Quero viver como uma bandeira a brisa,
Símbolo de qualquer coisa no alto de uma coisa qualquer.
Depois encerrem-me onde queiram.
Meu coração verdadeiro continuará velando
[...]
No alto do mastro das visões
Aos quatro ventos do mistério.

Álvaro de Campos


Abram-me outra realidade
Quero encontrar as fadas na rua!
Abram-me outra realidade
Quero encontrar as fadas na rua!

Tire o seu cinto de castidade
Quero encontrar você semi-nua
Vamos brincar com a realidade
Não vamos ficar esperando as alturas

Tragam-me mais uma cerveja
Quero beber todas até esquecê-la
Tragam-me mais uma vodka
Quero beber até entrar em órbita

Tragam-me mais uma canalha
Quero transformar minha vida um inferno
Tragam-me mais uma canalha
Quero transformar minha vida um inferno


Composição: f. foresti
Arranjo: l. manzoni/fabiano foresti/daniel scopel/f. foresti
©Copyright 2010 Todos os direitos reservados

sexta-feira, 19 de março de 2010

Judiaria - Arnando Antunes

E                                  F#m
Agora você vai ouvir aquilo que merece
    B                                        E
As coisas ficam muito boas quando a gente esquece
                                         F#m
Mas acontece que eu não esqueci a sua covardia

A sua ingratidão
     B                     
A judiaria que você um dia
              E
Fez pro coitadinho do meu coração
         A
Essas palavras que eu estou lhe falando
            E
Têm uma verdade pura, nua e crua
                 F#m              B
Eu estou lhe mostrando a porta da rua
               E
Pra que vocês saia sem eu lhe bater
          A
Já chega o tempo que eu fiquei sozinho
                 E
Que eu fiquei sofrendo, que eu fiquei chorando
       F#m                     B
Agora quando eu estou melhorando
            A                 E
Você me aparece pra me aborrecer
 
 

segunda-feira, 1 de março de 2010

Chama e Fumo

Amor - chama, e, depois, fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa...
 
Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor - chama, e, depois, fumaça...
 
Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimado o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa...
 
Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor - chama, e, depois, fumaça...
 
A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
Amor - chama, e, depois, fumaça...
 
Porquanto, mal se satisfaça,
(Como te poderei dizer?...)
O fumo vem, a chama passa...
 
A chama queima. O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas... tem de ser...
Amor?... - chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa
 
 
Bandeira, Manuel. Antologia Poética. 8 ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olímpio, 1976. p. 10-11
 

Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
 
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
 
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
 
- Eu faço versos como quem morre.
 
Bandeira, Manuel. Antologia Poética. 8 ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olímpio, 1976. p. 8

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Blues literário



A cidade antiga,
O discurso do método,
A auto-biografia,
De Erick Clapton.
 
Todos os nomes,
Carta ao meu pai,
Pedagogia profana,
Brasil nunca mais.
 
A palavra escrita,
A história da arte,
A misteriosa chama,
Da rainha Loana....
 
(refrão)
Eu li todos estes livros e só fiquei mais burro,
Quanto mais eu leio vejo quão pequeno é o mundo.
 
 
composição: f. foresti
Banda Desclassificados

Bêbado inconsciente

Nada um desprazer me imponha!
Livre estou, gozando a esmo;
Ar fresco e canção risonha
Ando os inventando eu mesmo.
 
Bebo, bebo, os copos trinco!
Toque os copos, tlim-tilinco!
Lá detrás, tu, vem pra cá!
Toque os copos, feito está.
 
Minha mulher gritou, brava,
De meu traje ela caçoou;
Enquanto eu me empertigava,
De palhaço me xingou.
 
Mas eu bebo, bebo e brinco,
Todos brindo, tlim-tilinco!
Eh, saúde, tra-lá-lá!
Ao tinir, já feito está.
 
Pois dizei, se é vida boa!
Se não fia o impertimente
Do patrão, fia a patroa,
E no fim, fia a servente,
 
Fia, e bebo que nem cinco,
Bebo a todos! tlim-tilinco!
Cada um a outro! adiante vá!
Ao que vejo, feito está.
 
Onde há riso e diversão,
Valha a farra do momento,
Deixai-me caído no chão,
Pois em pé já não me aguento.
 
GOETHE, Johann Wolfgang von. Fausto. Tradução de Janny Klabin Segall. Belo Horizonte: Itatiaia, 1997. p. 226. (Grandes obras da cultura universal, 3)

Os pequeninos feitos

É praxe antiga e de ótimos efeitos
Serem, no grande mundo, os pequeninos feitos.
 
GOETHE, Johann Wolfgang von. Fausto. Tradução de Janny Klabin Segall. Belo Horizonte: Itatiaia, 1997. p. 181. Grandes obras da cultura universal, 3)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Gravações novas e baratas

Mais uma canalha, eles disseram, vazaram meu coração e mais uma....
 
 
:)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O amor

fonte: http://www.malvados.com.br/

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Encontro

Galera, fui no banheiro dar uma cagada e o diabo apareceu pra mim, me perguntou se estaríamos dispostos a vender a alma pra ele em troca de sucesso pra banda, ele prometeu que nos faria astros do rock'n'roll, falei pra ele que iria conversar com vocês e depois mandaria um email pra ele pra negociar o caso, o que vocês acham da proposta? Sei que tá todo mundo muito ocupado com faculdade, trabalho e etc...mas de repente acho que a gente pode dar uma pensada na situação.
Caso vocês tenham alguma dúvida sobre as cláusula do contrato podem entrar em contato direto com o coisa-ruim segue o mail do cara diabo@inferno.org, ele me disse que olha a caixa toda a hora e que recebe as mensagens no I-phone, por isso está sempre atento.
Convidei ele pra assistir o nosso show hoje, e ele me disse que talvez dê uma passada lá hoje, mas não deu certeza por que está numa correria infernal de final de ano, mas me disse que a qualidade do som pouco importa pra ele, e sim a atitude.
Depois disso deu uma risada diabólica, e sumiu numa nuvem de fumaça de enxofre, pior que todo mundo ficou me olhando depois que eu saí do banheiro, pensando que eu peidava fumaça....foda.

Bom, era isso, tá dado o recado.

Até de noite!!
 
l. manzoni


terça-feira, 24 de novembro de 2009

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Minissaia indecente

fonte: o genio adão, é claro

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Evidencia dos corpos mortos - POESIA

Morrer está sempre à mão
Essa é uma verdade suprema
Aprendi desde criança
Basta uma arma, uma corda, um facão
Se a escolha é o longo prazo
Tem o cigarro,a nicotina o alcatrão

A morte de gente amada
Traz sempre um grande pesar
Descabela, faz chorar
Tem gente que não aguenta
O encerramento da vida
Apela pro seu vigário
Faz promessa suicida

Mas no fim tudo se ajeita
Se encomenda o caixão
Faz reza pro falecido
Nessa hora a crença é sorte
Ajuda a esquecer a dor
Com promessas de pós-morte
 
 
l. manzoni

Evidência dos corpos mortos

Contra a evidência dos corpos mortos, imagina fantasmas, demônios. Chega ao extremo de imaginar uma entidade supracorpórea - a alma - e a separar a individualidade em alma e corpo. As idéias de vida após a morte, seja a da transmissão ou da reencarnação, ou ainda a da eternidade da alma, tira da morte o significado de término de vida e se transformam em uma convenção da civilização. O homem se convence da sua imortalidade. Mas não é só isso. Para além da ambiguidade de sentimentos entre a morte do inimigo e a do ser amando, Freud chama a atenção para uma ambivalência de sentimentos do homem primitivo, mas subjacente no homem civilizado, em relação à morte. Cada ser amado faz parte de nós, do nosso ego. Quando morre, mata em nós essa parte. Mas cada pessoa, mesmo amada, é outro ser, com alguma coisa estranha e hostil. Nasce dessa ambivalência ante a morte do ser amado, que, simultaneamente, somos nós e é um estranho, um sentimento de culpa que torna impronunciável, ou pelo menos de mal gosto, a idéia de morte.

Freud, 1968 apud THIRTY-CHERQUES, Hermano Roberto. Sobreviver ao trabalho. Rio de Janeiro: FVG, 2004. p. 17