sábado, 17 de setembro de 2011

Alma feia

Hoje acaba a relação que eu nunca quis,
A relação em que só fui enganadado, traído,
Em que acreditei e vi perder todo o sentido,
Àquela relação em que só fui infeliz.
 
Eu pedi, eu implorei, eu fui bem claro:
Afaste-se de mim, meu coração é muito delicado.
Como deve ser bom manipular os outros,
Como deve ser bom jamais ser contrariado.
 
A vingança é um prato que se come frio,
Como escreveu Nietzsche: a mulher é vingativa,
Eu, porém, sou mais sutil.
 
Agora, aqui, fica a mensagem, quem tiver olhos que leia:
Nunca mais me procure, pessoa infeliz, cega, insensível,
A partir de hoje meu coração está protegido da sua alma feia.
 
 
fabricio foresti
 
 
 

Chega de escrever

Ouvindo música em meio ao redemoinho,
Quero escrever uma poesia para ficar bem.
Preciso comunicar-me comigo mesmo devagarinho,
Ouvir todas as mensagens que a minh'alma tem.
Ela quer mostrar-me, oferecer,
Todas as possibilidades anímicas que existem,
E meus olhos cegos insistem em não ver,
Só para sentir como as almas mentem.
Diz-me que a vida pode ser outra, impensável aventura,
Que conheceria sensações diferentes, de entorpecer,
Pensamentos enlevados surgiriam por ventura...
Retiro o fone de ouvido devagar e sem perceber,
Afasto-me do objeto que me ausculta: chega de ouvir música,
Chega de ouvir a minh'alma, chega de escrever.
 
fabricio foresti

Aqui ninguém sonha

Eu preciso olhar para dentro,
Procuro sinal de coisa qualquer,
Meu coração sabe como eu tento
Incansavelmente olhar para dentro.
 
Gostaria de encontrar um amigo,
Mesmo de passagem, derradeiro,
Para ajudar-me a ter esquecimento
Quando eu conseguir olhar para dentro.

Penso que talvez possa encontrar
Uma coisa qualquer em lugar insólito
Que ajude-me a fugir deste lugar.

Aqui, do lado de fora, sozinho,
Tudo é triste, grave, aqui ninguém sonha,
Aqui não existe sentimento.

fabricio foresti

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Away está de volta!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A poesia em sonho

Em um dia triste, enquanto durmo,
Escrever uma poesia em meus sonhos,
Não importa o sono: matutino, vespertino ou noturno,
Peço apenas um pouco de movimento, como os moinhos.

Não precisa ter estrutura ou assunto,
Não precisa ter palavras, nem mesmo rima,
Assim, em meu sonho, desejo muito,
Que transforme-se a minha poesia.

Mas, e se de repente, onírica,
A poesia mostrar-se surpeendente...
Cheia de conteúdo, quem sabe lírica...

Deixo na imaginação as minhas palavras, infelizmente,
Pois a poesia que em meus sonhos acabo de redigir,
Só fez-me acordar para este mundo, paulatinamente.


f. foresti
09/09/2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O parasita mora onde o grande tem pequenos pontos feridos

Para onde quer, porém, que desejeis subir comigo, tratai de que não suba convosco nenhum parasita! Parasita: é um verme, um bicho rastejante, insinuante, que quer engordar à custa das vossas chagas secretas. E é esta a sua arte: que adivinha, nas almas que se elevam, o ponto em que estão cansadas; no vosso pesar e desânimo, no vosso delicado pudor, ali ele constrói o seu repelente ninho; o parasita mora onde o grande tem pequenos pontos feridos. Qual é, de todos o seres, a espécie mais alta e qual a mais baixa? O parasita é a espécie mais baixa; mas quem é da espécie mais alta alimenta a maioria dos parasitas. p. 248
 
NIETZSCHE, Friedrich W. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Tradução de Mário da Silva. 12. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. 381 p.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Lua Negra

Em teu peito acento a face quente, como a tarde.
São teus olhos dois planetas, obscuros.
São teus olhos dois planetas, em órbitas, incertas.
Que observo como fazem, os astrônomos.

Chega a noite fria, e é sombria a luz da lua negra.
Chega a noite fria, e é sombria a luz da lua negra.

Em teu peito o tempo bate, um tambor de tempestade.
De quem ama feito louco, a felicidade.
E quem ama feito louco, deixa traços, da sua presença.
Como fazem os amantes, na despedida.

Chega a noite fria, e é sombria a luz da lua negra.
Chega a noite fria, e é sombria a luz da lua negra.

O teu beijo acende e arde, quente, como a tarde.
São teus olhos dois planetas obscuros.
São teus olhos dois planetas, em órbitas, perfeitas.
Que analliso como fazem, os astrônomos.

Chega o fim do dia e a lembrança da tua presença.
Chega o fim do dia e a lembrança da tua presença.



Composição e arranjo: D. Scopel

13 coisas para fazer depois de morrer

http://talktohimselfshow.zip.net/

Diluente

A vizinha do número catorze ria hoje da porta
De onde há um mês saiu o enterro do filho pequeno.
Ria naturalmente com a alma na cara.
Está certo: é a vida.
A dor não dura porque a dor não dura.
Está certo.
Repito: está certo.
Mas o meu coração não está certo.
O meu coração romântico faz enigmas do egoísmo da vida.
Cá está a lição, ó alma da gente!
Se a mãe esquece o filho que saiu dela e morreu,
Quem se vai dar ao trabalho de se lembrar de mim?
Estou só no mundo, como um pião de cair.
Posso morrer como o orvalho seca.
Por uma arte natural de natureza solar,
Posso morrer à vontade da deslembrança,
Posso morrer como ninguém...
Mas isto dói,
Isto é indecente para quem tem coração...
Isto...
Sim, isto fica-me nas goelas como uma sanduíche com lágrimas...
Glória? Amor? O anseio de uma alma humana?
Apoteose às avessas...
Dêem-me Água de Vidago, que eu quero esquecer a Vida! (p. 346)


REFERÊNCIA

CAMPOS, Álvaro de. Poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. 595 p.

Eu sou o lume das lareiras apagadas

Eu sou [...] o lume das lareiras apagadas, o pão das mesas desertas, a companheira solícita dos solitários e dos incompreendidos. A glória, que falta no mundo, é pompa no meu negro domínio. No meu império, o amor não cansa, porque sofra por ter; nem dói, porque canse de nunca ter tido. A minha mão pousa de leve nos cabelos dos que pensam, e eles esquecem; contra o meu seio se encosta os que em vão esperaram, e eles enfim confiam. p. 446
 
PESSOA, Fernando. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 534 p.

Eu não sou forte, nem nobre, nem grande

Não me indigno, porque a indignação é para os fortes; não me resigno, porque a resignação é para os nobres; não me calo, porque o silêncio é para os grandes. E eu não sou forte, nem nobre, nem grande. Sofro e sonho. Queixo-me porque sou fraco e, porque sou artista, entretenho-me a tecer musicais as minhas queixas e a arranjar meus sonhos conforme me parece melhor a minha ideia de os achar belos. p. 148
PESSOA, Fernando. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 534 p.

Outros cantores há

Outros cantores há, sem dúvida, para os quais somente a casa cheia torna a garganta melíflua, a mão eloqüente, os olhos expressivos, o coração desperto; -- não me assemelho a eles. -- p. 230
NIETZSCHE, Friedrich W. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Tradução de Mário da Silva. 12. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. 381 p.

Vai para a tua solidão

Vai para a tua solidão com o teu amor, meu irmão, e com a tua atividade criadora; e somente mais tarde a justiça te seguirá capengando. p. 91
 
NIETZSCHE, Friedrich W. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Tradução de Mário da Silva. 12. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. 381 p.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Criações

Estilista

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Um pesadelo inestético

... e um desdém cheio de tédio por eles, que desconhecem que a única realidade para cada um é a sua própria alma, e o resto – o mundo exterior e os outros – um pesadelo inestético, como um resultado nos sonhos de uma indigestão de espírito. p. 70-71

[...] é a sua consciência íntima de serem meus semelhantes, que me veste o traje de forçado, me dá a cela de penitenciário, me faz apócrifo e mendigo. p. 71
 
PESSOA, Fernando. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 534 p.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

domingo, 19 de junho de 2011

sábado, 18 de junho de 2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Próximos festivais

agora ninguém segura os desclassificados!

Desenhando

terça-feira, 14 de junho de 2011

Não trate um bêbado como bêbado



Não trate o bêbado como bêbado,
Trate-o como ele deve ser tratado.


Se tratares são o louco,
Trate como sóbrio o embriagado


É que na razão da embriaguês ele sabe
Ter a razão embriagado.


[refrão]
Qual bêbado quer ser lembrado,
Por um careta realista e sóbrio,
Que vive da realidade alienado
Quando o bêbado sabe
Ser ele o real transbordado?



composição: fabiano foresti
arranjo: l. manzoni; fabricio f.; fabiano foresti

sábado, 11 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Música nova: Palavras com cheiro







Nosso baixista relapso faltou no dia da gravação e o Luiz Maia do Jardim Elétriko gravou e criou a linha de baixo, além de ajudar a produzir a música e dar várias dicas. Obrigado cara, a música não seria a mesma sem você.

quinta-feira, 2 de junho de 2011