terça-feira, 23 de agosto de 2011

Lua Negra

Em teu peito acento a face quente, como a tarde.
São teus olhos dois planetas, obscuros.
São teus olhos dois planetas, em órbitas, incertas.
Que observo como fazem, os astrônomos.

Chega a noite fria, e é sombria a luz da lua negra.
Chega a noite fria, e é sombria a luz da lua negra.

Em teu peito o tempo bate, um tambor de tempestade.
De quem ama feito louco, a felicidade.
E quem ama feito louco, deixa traços, da sua presença.
Como fazem os amantes, na despedida.

Chega a noite fria, e é sombria a luz da lua negra.
Chega a noite fria, e é sombria a luz da lua negra.

O teu beijo acende e arde, quente, como a tarde.
São teus olhos dois planetas obscuros.
São teus olhos dois planetas, em órbitas, perfeitas.
Que analliso como fazem, os astrônomos.

Chega o fim do dia e a lembrança da tua presença.
Chega o fim do dia e a lembrança da tua presença.



Composição e arranjo: D. Scopel

13 coisas para fazer depois de morrer

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Diluente

A vizinha do número catorze ria hoje da porta
De onde há um mês saiu o enterro do filho pequeno.
Ria naturalmente com a alma na cara.
Está certo: é a vida.
A dor não dura porque a dor não dura.
Está certo.
Repito: está certo.
Mas o meu coração não está certo.
O meu coração romântico faz enigmas do egoísmo da vida.
Cá está a lição, ó alma da gente!
Se a mãe esquece o filho que saiu dela e morreu,
Quem se vai dar ao trabalho de se lembrar de mim?
Estou só no mundo, como um pião de cair.
Posso morrer como o orvalho seca.
Por uma arte natural de natureza solar,
Posso morrer à vontade da deslembrança,
Posso morrer como ninguém...
Mas isto dói,
Isto é indecente para quem tem coração...
Isto...
Sim, isto fica-me nas goelas como uma sanduíche com lágrimas...
Glória? Amor? O anseio de uma alma humana?
Apoteose às avessas...
Dêem-me Água de Vidago, que eu quero esquecer a Vida! (p. 346)


REFERÊNCIA

CAMPOS, Álvaro de. Poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. 595 p.

Eu sou o lume das lareiras apagadas

Eu sou [...] o lume das lareiras apagadas, o pão das mesas desertas, a companheira solícita dos solitários e dos incompreendidos. A glória, que falta no mundo, é pompa no meu negro domínio. No meu império, o amor não cansa, porque sofra por ter; nem dói, porque canse de nunca ter tido. A minha mão pousa de leve nos cabelos dos que pensam, e eles esquecem; contra o meu seio se encosta os que em vão esperaram, e eles enfim confiam. p. 446
 
PESSOA, Fernando. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 534 p.

Eu não sou forte, nem nobre, nem grande

Não me indigno, porque a indignação é para os fortes; não me resigno, porque a resignação é para os nobres; não me calo, porque o silêncio é para os grandes. E eu não sou forte, nem nobre, nem grande. Sofro e sonho. Queixo-me porque sou fraco e, porque sou artista, entretenho-me a tecer musicais as minhas queixas e a arranjar meus sonhos conforme me parece melhor a minha ideia de os achar belos. p. 148
PESSOA, Fernando. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 534 p.

Outros cantores há

Outros cantores há, sem dúvida, para os quais somente a casa cheia torna a garganta melíflua, a mão eloqüente, os olhos expressivos, o coração desperto; -- não me assemelho a eles. -- p. 230
NIETZSCHE, Friedrich W. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Tradução de Mário da Silva. 12. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. 381 p.

Vai para a tua solidão

Vai para a tua solidão com o teu amor, meu irmão, e com a tua atividade criadora; e somente mais tarde a justiça te seguirá capengando. p. 91
 
NIETZSCHE, Friedrich W. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Tradução de Mário da Silva. 12. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. 381 p.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Criações

Estilista

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Um pesadelo inestético

... e um desdém cheio de tédio por eles, que desconhecem que a única realidade para cada um é a sua própria alma, e o resto – o mundo exterior e os outros – um pesadelo inestético, como um resultado nos sonhos de uma indigestão de espírito. p. 70-71

[...] é a sua consciência íntima de serem meus semelhantes, que me veste o traje de forçado, me dá a cela de penitenciário, me faz apócrifo e mendigo. p. 71
 
PESSOA, Fernando. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 534 p.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

domingo, 19 de junho de 2011

sábado, 18 de junho de 2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Próximos festivais

agora ninguém segura os desclassificados!

Desenhando

terça-feira, 14 de junho de 2011

Não trate um bêbado como bêbado



Não trate o bêbado como bêbado,
Trate-o como ele deve ser tratado.


Se tratares são o louco,
Trate como sóbrio o embriagado


É que na razão da embriaguês ele sabe
Ter a razão embriagado.


[refrão]
Qual bêbado quer ser lembrado,
Por um careta realista e sóbrio,
Que vive da realidade alienado
Quando o bêbado sabe
Ser ele o real transbordado?



composição: fabiano foresti
arranjo: l. manzoni; fabricio f.; fabiano foresti

sábado, 11 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Música nova: Palavras com cheiro







Nosso baixista relapso faltou no dia da gravação e o Luiz Maia do Jardim Elétriko gravou e criou a linha de baixo, além de ajudar a produzir a música e dar várias dicas. Obrigado cara, a música não seria a mesma sem você.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

terça-feira, 31 de maio de 2011

sábado, 28 de maio de 2011

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